Para quem vive na beira do rio, janeiro é sinônimo de água subindo (enchente), mas este início de 2026 trouxe um fenômeno conhecido como "repiquete" (quando o rio para de subir e desce um pouco) em trechos importantes do Médio Solimões.
1. O que está acontecendo no Solimões?
Alerta em Coari: Nossos vizinhos em Coari registraram uma queda no nível do rio nos últimos dias. A régua baixou de 13,38 metros para 13,25 metros, um recuo atípico para a época que pega muitos ribeirinhos de surpresa.
Reflexo em Anori: Como Anori fica abaixo de Coari, essa oscilação deve ser sentida aqui nos próximos dias. Embora a tendência geral seja de subida, essa "freada" nas águas exige cuidado redobrado com bancos de areia que podem reaparecer nos canais de navegação.
2. Cenário em Manaus e Manacapuru
Enquanto o Médio Solimões oscila, o Baixo Solimões e o Rio Negro seguem outro ritmo:
Manaus (Rio Negro): Começou 2026 com o pé direito, superando a marca dos 20 metros. Especialistas apontam que isso sinaliza uma recuperação após as secas severas dos últimos anos, mas, por enquanto, não há previsão de uma cheia extrema.
Manacapuru: Segue em ritmo de subida, marcando níveis considerados normais para o período, sem a queda brusca vista no Alto e Médio Solimões.
3. Previsão do Tempo e "Terras Caídas"
O monitoramento nacional alerta para chuvas de intensidade moderada a forte na nossa região para esta semana.
Risco: A combinação de chuva forte com essa oscilação do rio (sobe e desce) aumenta muito o risco de desbarrancamento (terras caídas) nas margens. Quem mora em áreas de encosta na beira do rio deve ficar muito atento a rachaduras no solo.
Resumo para o Navegante:
"Não confie cegamente que o rio 'só vai encher' agora. O repiquete em Coari mostra que o Solimões está instável. Se você vai viajar de lancha para Tefé ou Coari, redobre a atenção com troncos e bancos de areia que mudaram de lugar."
