Plantão Economia: O "Ouro Negro" e os Cofres de Anori

 


Manchete: Anori fecha ciclo de 2025 com milhões em royalties, mas 2026 exige cautela com novas regras do STF.

​Nossa redação analisou os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Tesouro Nacional. O município de Anori continua figurando entre os beneficiários importantes da compensação financeira pela exploração de gás e petróleo na região, mas o cenário para este ano novo acende um sinal de alerta.

1. O que entrou no cofre (Balanço Recente)

​Enquanto Coari segue como o "gigante" da arrecadação, Anori mantém uma posição estratégica na partilha.

​Anori: Dados consolidados até o final de 2025 indicam que nosso município recebeu cerca de R$ 6 a R$ 7 milhões acumulados no último ano. Apenas entre janeiro e setembro de 2025, foram mais de R$ 5,1 milhões depositados na conta da prefeitura.

​Comparativo Regional:

​Coari: Segue liderando isoladamente, com repasses que superaram R$ 58 milhões (jan-set 2025).

​Tefé: Recebeu cerca de R$ 8,5 milhões no mesmo período.

​Codajás: Ficou com aproximadamente R$ 3,1 milhões.

​Anamã e Caapiranga: Estão tecnicamente empatados com Anori, recebendo valores na casa dos R$ 5,2 milhões.

2. Por que o dinheiro sobe ou desce?

​Para 2026, dois fatores vão ditar se esse dinheiro vai aumentar ou diminuir na conta da prefeitura de Anori:

​Produção em Urucu: Houve uma queda técnica nas reservas provadas de petróleo e gás no campo de Urucu (Coari) no último ano. Menos petróleo saindo do chão significa, em tese, menos royalties, a não ser que o preço do dólar ou do barril dispare.

O "Martelo" do STF: O Supremo Tribunal Federal tomou decisões recentes para frear a "farra dos royalties" em municípios que não são produtores diretos, mas que recebiam via liminar judicial. Anori, por estar na zona de impacto do gasoduto e da produção, historicamente recebe esses valores, mas a fiscalização sobre como esse dinheiro chega e é gasto será muito mais rigorosa em 2026.

​3. O impacto na cidade

​Esses milhões extras não são carimbados para saúde e educação (como o FUNDEB), o que dá ao Prefeito liberdade para usar em:

​Pavimentação de ruas (muito necessária após o período de chuvas).

​Eventos culturais e festejos da cidade.

​Pagamento de fornecedores.

Análise do Editor:

"O dinheiro dos royalties é uma bênção, mas  também pode ser uma armadilha. Se a gestão municipal de Anori contar com esse valor fixo todo mês para pagar folha de pagamento, pode ter problemas sérios caso a produção em Urucu caia ou uma decisão judicial bloqueie o repasse. Dinheiro de royalty deve ser investimento (obra), não custeio (salário)."

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