ANORI, AM – O que hoje é conhecido como o "ouro lilás" de Anori, movimentando milhões de litros e sustentando 80% da economia local, teve um início humilde, marcado pelo esforço manual e pela visão de pioneiros que transformaram o extrativismo em uma potência regional.
O Início: O Tempo do "Papa"
Antes da tecnologia e das máquinas modernas, o açaí em Anori era uma atividade puramente artesanal. Os moradores mais antigos recordam a figura do "Papa" — como era chamado o batedor que preparava o fruto manualmente, batendo o açaí na mão e vendendo o produto em bacias pelas ruas da cidade.
A transição para a mecanização começou com pioneiros como Sr. Servolo Brandão, um dos primeiros a adquirir uma máquina batedora no município. Logo em seguida, a Família Aquino expandiu essa visão: com apenas quatro máquinas pequenas, já alcançavam a marca impressionante de 2 mil litros por semana, um volume considerável para a época.
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A Engrenagem da Economia Atual
Hoje, a realidade é outra. Anori conta com mais de 20 indústrias de diferentes portes e uma cadeia logística robusta.
Safra: O ciclo começa em setembro/outubro com o açaí do sítio e segue até maio com o açaí da mata.
Emprego: São mais de 400 famílias envolvidas diretamente, desde os coletores até os funcionários das fábricas de gelo, que produzem mais de 3 mil toneladas de gelo por safra para garantir a conservação do produto.
Exportação: Mais de 2 milhões de litros são enviados para Manaus e estados vizinhos, consolidando a marca "Açaí de Anori" como sinônimo de pureza e sabor superior.
Desafios e o Futuro Sustentável
Apesar do crescimento, o setor ainda clama por infraestrutura. A manutenção da estrada que liga as áreas de produção é a principal reivindicação dos produtores, que enfrentam prejuízos constantes com veículos devido à lama no inverno.
Por outro lado, o futuro aponta para a modernização. O uso de rastreabilidade via blockchain e o reaproveitamento de 4 mil toneladas de caroços por safra mostram que Anori está pronta para o mercado internacional, unindo a tradição herdada do tempo do "Papa" com a responsabilidade ambiental exigida pelo Século XXI.
